Notícias

Jovem empreendedor cria aplicativo de celular que monitora saúde à distância

 Melhorar o atendimento médico é questão pessoal para Mario Sérgio Adolfi Júnior, de 29 anos. Quando ele era criança, sua avó sofreu um acidente vascular cerebral durante as férias da família em Ubatuba, São Paulo. A demora para ser tratada em um hospital sem especialistas de plantão deixou sequelas – e despertou uma ideia no neto. Ele nem cogitou cursar medicina, o que seria uma reação natural de um jovem na mesma situação, mas num outro tempo. Hoje, sistemas acumulam montanhas de dados sobre qualquer assunto. Falta quem extraia deles sentido e inteligência. Mario mergulhou no mundo da coleta, análise e processamento de dados. “Eu não queria resolver problemas de forma pontual. Muitos problemas da saúde são estruturais e são esses que quero resolver”, diz.
 
Mario tem extremo respeito pelo trabalho dos médicos. Apenas percebeu cedo que o talento e o empenho desses profissionais não bastam, diante da realidade caótica de muitos hospitais. Por isso, uniu o que chama de “visão de engenheiro” – analisar, desmontar, solucionar – ao interesse pela saúde. Ingressou na terceira turma do curso de informática biomédica da Universidade de São  Paulo em Ribeirão Preto. No último ano da faculdade, fundou uma empresa, a Kidopi, ao lado do amigo e colega de curso Hugo Pessotti. Juntos, passaram a percorrer as tais montanhas de dados que as instituições de saúde armazenam ao longo dos anos, mas sem muito método. Quando devidamente mapeada, essa paisagem virtual selvagem se transforma em fonte de informações preciosas. Os modelos computacionais permitem prever a evolução do quadro dos pacientes, oferecer mais cedo o cuidado  adequado e administrar melhor os recursos à disposição. “A solução para a saúde nem sempre é comprar mais remédios e equipamentos, e sim acelerar os processos. Isso salva vidas”, diz Mario.
 
A análise de dados de saúde, como a feita pela Kidopi, é uma das principais maneiras de elevar a eficiência de sistemas inteiros, como um grande hospital ou a rede de postos de uma região. Especialistas sabem disso faz tempo. Mario e Hugo, em vez de alertar para o problema, resolveram atacá-lo de frente. “Eles têm uma grande capacidade de identificar tendências e necessidades futuras e persistência para transformar a ideia em produtos”, diz Saulo Rodrigues, gerente da incubadora de novos negócios Supera, que ajudou a Kidopi a se desenvolver.
 
O sistema criado pela empresa, o HealthBi, foi premiado pela Organização das Nações Unidas (ONU) como a melhor ferramenta digital para a saúde do Brasil em 2013. Em junho, a empresa volta a disputar a final mundial do prêmio com um novo aplicativo, o Clever Care, que monitora à distância a saúde de quem tem doenças crônicas e evita idas desnecessárias ao hospital. Ele interage com o paciente pelo celular: pergunta se praticou atividade física, se sentiu mal-estar, se mediu o nível de açúcar no sangue. O sistema pode marcar uma consulta se avaliar que os indicadores exigem atenção. “O cuidado personalizado reduz a complexidade e o custo da internação”, diz Mario. “O melhor é investir em prevenção.”
 
Fontehttp://epoca.globo.com/vida/noticia/2016/06/jovem-empreendedor-cria-aplicativo-de-celular-que-monitora-saude-distancia.html
Voltar